Telemetria: o futuro chegou

Sat Company desenvolve rastreador que une as tecnologias GPS/GPRS e radiofrequência e conta com telemetria embarcada para análise do perfil do condutor.

A quantidade de veículos roubados ou furtados surpreende a cada número divulgado. Entre 2014 e 2015, mais de um milhão de veículos foram roubados ou furtados no Brasil, o equivalente à média de um caso a cada um minuto. Os dados são do 10º Anuário Brasileiro da Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro da Segurança Pública. Já quando se fala em roubo de cargas, os dados enfatizam ainda mais a dimensão do problema. No último ano, o prejuízo com este tipo de prática no Brasil alcan- çou R$ 1,4 bilhão, de acordo com um estudo feito pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

Para recuperar esses automóveis as seguradoras apostaram nos rastreadores, dispositivos de geolocalização que indicam por onde eles circulam. Com o retorno positivo, o seguro passou a ser acoplado aos equipamentos. Mas o uso de inibidores de sinais (os chamados jammers) se tornou frequente e afetou negativamente o índice de recuperação desses automóveis. A Sat Company viu no motivo de preocupação a oportunidade de criar um equipamento capaz de atender as necessidades do mercado segurador.

“Investimos no desenvolvimento do R12, que garante a melhora no índice de recuperação através da radiofrequência, mantendo o GPRS como tecnologia principal para fornecimento das informações de telemetria que permitem analisar o perfil do condutor”, explica o CEO da empresa, Marco Puerta.

O equipamento é instalado nos veí- culos indicados pelas seguradoras. Com o objetivo de fugir do formato padrão dos rastreadores hoje comercializados, a equipe de engenharia da empresa trabalhou para que o produto, único do mercado com tecnologia híbrida, fosse descaracterizado. Os formatos semelhantes às peças originais do veículo, como buzina, módulo de injeção e ignição, dificultam a identificação e a retirada do produto.

Até se chegar ao resultado desejado foi preciso muito investimento em pesquisas, além da busca por parcerias com fornecedores para a utilização de tecnologia de ponta, imune a ruídos e bloqueadores de sinal. Todo o esforço valeu à pena. “O resultado é um equipamento pequeno, descaracterizado e de alta performance, com custo de mercado competitivo”, afirma o engenheiro Flavio Fernandes.

Ampliação da rede

Os veículos equipados com o R12 funcionam como antenas receptoras e transmissoras. Quando o rastreador detecta a perda do canal GPS/GPRS, a radiofrequência automaticamente emite um sinal de SOS ao veículo da base mais próximo. “Quanto mais veículos tiverem o equipamento instalado, mais rápida será a recuperação em caso de roubo ou furto” afirma a diretora comercial Danielle Serradilla.

A rede, segundo ela, se tornará mais eficiente à medida que novas instalações forem efetuadas. Já pensando em sua ampliação, a empresa firma parcerias para a instalação de antenas físicas em locais estratégicos com alta altitude e vislumbra aumentar o apoio recebido durante as ocorrências com a ajuda de órgãos de Segurança Pública. Para este último, a companhia vai apresentar um projeto com o objetivo de facilitar a identificação de veículos roubados ou furtados que estejam dentro do raio de atuação do equipamento.

Toda essa estrutura também ganha força com a não retirada do R12 após o cancelamento da apólice. Quando isso acontece, as seguradoras deixam de ser cobradas pelo serviço e o cliente fica livre para migrar para outra companhia de seguro sem a necessidade de pagar novamente pela instalação do equipamento.

Além disso, está em fase de fabrica- ção um dirigível equipado com câmeras, que será utilizado durante as ocorrências. “A ideia é que ele funcione como uma antena móvel e, ao mesmo tempo, transmita imagens ao vivo à nossa central de operações”, adianta o gerente administrativo Leonardo Buosi. O executivo assegura que o projeto, batizado como Sat Móvel, poderá ser visto na cidade de São Paulo dentro de poucos meses.

De olho no condutor

Apenas 30% da frota nacional de ve- ículos está protegida, talvez porque o seguro de automóvel ainda seja visto como um produto caro. Esta é a oportunidade para se discutir a precificação de acordo com a atuação do motorista: quem for cauteloso ao volante consequentemente tem o valor do seguro reduzido.

O modelo, que já funciona na Europa, e é tendência no mercado segurador nacional, faz uso da tecnologia embarcada para relacionar as atividades do condutor, que são traçadas e armazenadas no banco de dados da empresa. As informações recolhidas podem ser comparadas com os dados mencionados pelo cliente para cotação e fechamento do seguro.

A função foi mantida no R12 e de acordo com Marco Puerta também é uma maneira de combater as fraudes que preocupam as companhias seguradoras. “As duas maiores divergências entre as seguradoras e os segurados são o CEP de pernoite e a utilização do veículo para fins comerciais ou faculdade. Os segurados dizem que não usam o carro para essas atividades, mas com o rastreador fica evidente a utilização”, argumenta.

Com o intuito de ajudar essas empresas a terem um laudo mais conclusivo para a indenização do sinistro, o R12 traz outra funcionalidade: o Crash Detection, que detecta colisões e reconstitui o pré e o pós-histórico do evento. Apenas os veículos instalados com o rastreador permitem essa identificação, que verifica se o motorista está em alta velocidade e o tempo que leva para frear o automóvel. Em caso de colisão, a central de emergência recebe um alerta e contata o segurado para coletar informações sobre o evento e auxiliá-lo com o envio de guincho ou ambulância. Quando necessário, um relatório detalhado também é encaminhado à seguradora. O projeto-piloto já está sendo feito com uma seguradora.

Resultados iniciais

O R12 foi lançado há três meses e até o momento a companhia alcançou um índice de recuperação de 95% dos casos de roubo e furto de veículos. “Considerando as ocorrências que tivemos no período, o nú- mero é surpreendente”, declara o gerente operacional Cristiano Silva. Até o final do ano, a expectativa é manter esse índice de recuperação para os veículos que possuem a tecnologia e chegar a uma base de mais de 120 mil unidades instaladas.

Danielle acredita que o R12 trouxe a reinvenção que o mercado precisava. “Manteremos os equipamentos após o cancelamento das apólices, permitindo a migração dos veículos entre as seguradoras, gerando uma redução de custos para essas companhias”, destaca. O fato, atrelado às informações de perfil do condutor, possibilitarão uma precificação personalizada aos segurados, contribuindo com o crescimento do segmento.

Soluções completas

Para auxiliar ainda mais as seguradoras a fecharem novos contratos, a Sat Company disponibiliza um aplicativo para que o motorista analise sua própria conduta diante do volante. Com a ferramenta é possível, entre outras funcionalidades, localizar o veículo em tempo real, monitorar a velocidade do automóvel e alertar sobre a violação do R12. Os condutores ainda têm acesso a um botão de emergência e ao Valet Parking, que emite um alerta em caso de alta velocidade e distância excedida pelo manobrista.

Outra aposta é no Grupo de Análises Preventivas Operacionais (GAPO), que trabalha para inibir as fraudes e detectar previamente os casos de roubo e furto de veículos – responsáveis por elevar o preço do seguro de automóvel e gerar grandes perdas às seguradoras. Assim, quando alguém tenta desconectar o rastreador para fraudar o seguro, o GAPO é alertado e entra em contato com o segurado, que muitas vezes só descobre que o veículo foi furtado neste momento. Quando o furto é confirmado, a Sat, com o apoio de equipes de pronta resposta e órgãos de seguran- ça pública, passa a operar para a recuperação do automóvel.

A equipe do GAPO também elabora um relatório final da ocorrência, permitindo que as informações contidas no boletim de ocorrência e os dados coletados do rastreador sejam confrontadas com o relato do segurado e ajudem na detecção de possíveis fraudes. Comprovada a fraude, a seguradora recebe sinal verde para a abertura de uma sindicância.

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